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Yalorixá Mãe Hilda Jitolu

*Luiz Carlos Suíca

No dia 19 de setembro a Bahia, o Brasil e todos os que desejam construir um mundo de paz, tolerância e igualdade perderam uma guerreira, uma líder espiritual, uma sacerdotisa que há 50 anos comandava o Ilê Axé Jitolu: morre aos 86 anos a Yalorixá Mãe Hilda Jitolu.

Faço uma saudação especial ao Ilê Aiyê, primeiro bloco afro da Bahia, entidade fundamental no processo de fortalecimento da identidade étnica e da auto-estima do negro brasileiro. Saúdo Antônio Carlos dos Santos, o Vovô do Ilê, presidente da instituição e filho biológico de mãe Hilda.

A perda da Yalorixá Mãe Hilda Jitolu é profunda, em especial para os que professam o Candomblé como religião, como é o meu posicionamento. A melhor homenagem que podemos prestar é manter o bom combate que ela enfrentou: manter a difusão da cultura negra na sociedade, agregar todos os afro-brasileiros na luta contra as mais diversas formas de discriminações raciais.

Foi com a liderança firme da Yalorixá Mãe Hilda Jitolu que o Ilê Aiyê empenhou-se e construiu projetos carnavalescos, culturais e educacionais, resgatando a auto-estima e elevando o nível de consciência crítica. Com ela aprendemos que a defesa do povo negro será garantida com a prestação  de solidariedade.

Em 2010 todos nós que saímos no Ilê Aiyê sentiremos a falta de Mãe Hilda comandando a cerimônia religiosa que antecede o desfile no sábado de Carnaval.

A Escola Mãe Hilda, que oferece não só educação formal, mas também oficinas artísticas e formação em cidadania, permanecerá, assim como o Ilê Aiyê, mostrando que a vida desta líder religiosa foi vitoriosa e que seus 86 anos de vida deixou sementes bem plantadas em solo fértil.

“Quando eu nasci todos ao meu redor sorriam e só em chorava. Quando eu morri todos ao meu redor choravam e só eu sorria. Sejamos todos fortes, pois só estamos nessa vida de passagem”, diz um ditado popular que neste momento não podemos esquecer.

Finalizo repetindo as palavras de Vilma Reis, coordenadora executiva do Ceafro e presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado da Bahia (CDCN): “No ano de 1938 muitas coisas importantes aconteceram na Bahia, uma delas foi a chegada de Mãe Hilda ao Território Sagrado da Resistência Negra da Bahia, o Curuzu, para nos liderar, com outras destacadas senhoras de Salvador, a cidade das mulheres. Todas as vezes que o seu nome for pronunciado, o legado estará presente e nossa tarefa é continuar a batalha com os seus ensinamentos”.

Yalorixá Mãe Hilda Jitolu, morreu lutando e nossa luta não morre! Axé!

Fonte: http://opiniaosuica.blogspot.com 

 


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