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Tribunal de Justiça inocenta
Luiz Caetano na Operação Navalha

Fonte: Rita Conrado - A Tarde - Pág.13 - EDIÇÃO DO DIA 01.06.2010

Três anos após a sua prisão, por suposto envolvimento na Operação Navalha, deflagrada pela Polícia Federal, o prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), tema sua inocência comprovada pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), que aceitou o pedido de arquivamento das investigações feito pelo Ministério Público Estadual (MPE). A decisão foi publicada ontem, no Diário do Judiciário, assinada pelo relator do processo, o juiz Abelardo Paulo da Matta Neto.

Ontem, o prefeito de Camaçari disse que aguardou esse entendimento da Justiça durante todos esses anos.

“Estou muito feliz”, revelou o prefeito, que ainda não sabe se tomará providências para compensar o desgaste moral que sofreu desde que foi preso, em 2007.

Cuidados Segundo um dos seus advogados de Caetano, João Daniel Jacobina, caberia, em tese, um pedido de reparação moral e material à União. “Ainda não sentei com meus advogados para discutir isso”, assinalou Caetano, que atribuiu ao cuidado que teve com as contas públicas o fato de não ter se envolvido, ainda que involuntariamente, nas fraudes investigadas pela Polícia Federal em processos de execução de obras municipais.

“Quando assumi, já havia uma licitação concluída, feita na gestão do prefeito José Tude com a empresa Gautama, no valor de R$17 milhões. Mas não aceitei o contrato e solicitei um parecer do Tribunal de Contas do Município”, contou o prefeito.

Pressões Mesmo com o parecer favorável do TCM, Luiz Caetano cancelou o contrato e fez uma nova licitação. “O valor era muito alto”, assinalou o prefeito para justificar o que poderia parecer excesso de precaução.

“Também havia muita pressão da empresa para que assinasse o contrato, inclusive a empresa JLA, ligada à Gautama, tentou suspender a nova licitação”, lembrou o prefeito de Camaçari, ressaltando que a experiência vivida depois da prisão foi marcante.

“Só eu sei o que passei”, afirmou. “Quase vi desmoronar um patrimônio moral, um sonho. Até hoje lembro disso todos os dias”, diz.

Indenização O advogado João Daniel Jacobina também lembra da pressão sofrida por Caetano na época. “Houve uma enorme exposição do prefeito e uma grande exploração política, além de graves danos morais, porque não é fácil acabar com o estigma do corrupto, que é do que o acusaram”, assinalou. “O prefeito não discutiu o assunto, mas pode, sim, ser indenizado pelo Estado”, completou.

O Tribunal de Justiça da Bahia arquivou a investigação por concluir que não houve, por parte dele, procedimentos ilícitos nem desvio ou apropriação de verbas públicas.

“O prefeito Caetano buscou alternativas legais a impedir a formalização dos certames supostamente ilegais”, diz o parecer do TJ-BA.

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O discurso estreito de Serra

Escrito por Wagner Iglecias   

Em qualquer eleição um candidato que pretende vencer tem de buscar ampliar, ao máximo, o arco de forças políticas que o apóiam e as faixas do eleitorado que aprovam suas propostas. Posto isto, cabe a pergunta: a quem José Serra quis se dirigir quando, no lançamento de sua pré-candidatura à presidência da República, atacou as "falanges do ódio" e declarou em alto e bom tom que quer ser o "presidente da união"? Num discurso pouco empolgante, mas muito duro, pareceu querer colar no PT e no governo Lula a pecha do sectarismo e da divisão do país entre ricos e pobres, e arrematou afirmando que, "quanto mais mentiras os adversários disserem sobre nós, mais verdades diremos sobre eles".
 
Será esta a estratégia mais correta para alguém que terá de enfrentar um governo que alcança mais de 70% de aprovação popular e tem prestígio em todas as classes sociais, segundo as pesquisas de avaliação? Será que os diversos setores empresariais das finanças, da indústria, do comércio e do agronegócio que aprovam o governo Lula vêem o Brasil hoje imerso numa luta entre ricos e pobres? Será que esta percepção de falta de união nacional existe entre a legião de brasileiros que ascenderam à classe média nos últimos anos?
 
Fernando Collor dizia que com seu governo pretendia deixar a direita indignada e a esquerda perplexa. Collor, como se sabe, fracassou em sua tentativa, e quem de fato conseguiu aquele feito foi Lula, por mais incrível que isso pudesse parecer há alguns anos. O demo-tucanato parece ter dificuldades de admitir que o PT e o governo Lula não dividiram o país. Ao contrário. O governo petista mostrou-se mais competente que o consórcio PSDB/DEM para administrar o capitalismo brasileiro, para desgosto da direita oposicionista e da esquerda socialista hoje abrigada nos pequenos partidos que surgiram de rupturas com o PT. Goste-se ou não, Lula promoveu uma revolução capitalista durante seu mandato e uniu boa parte do país em torno da produção, do crédito e do consumo, sobretudo pela incorporação de milhões de brasileiros pobres à economia. Não é a toa que chega ao fim de seu segundo mandato com altíssimos índices de popularidade, ao mesmo tempo em que grandes grupos empresariais multiplicam seus lucros e o povão consome como nunca consumiu.
 
Amplos estratos da base e do topo da pirâmide social brasileira estão se dando bem com este governo, ao passo que quem realmente não o tolera são alguns setores médios da população. De fato, certa classe média hoje no Brasil é movida por uma combinação de sentimentos que a faz sentir-se perdedora sob o governo Lula: a sensação de injustiça na relação custo/benefício entre tributos pagos e serviços públicos recebidos; a experiência de ver na ascensão dos brasileiros pobres a elevação do custo dos serviços que estes historicamente sempre lhes ofereceram a valores irrisórios; a indignação com a corrupção na esfera pública e, finalmente, o apego crescente a velhos preconceitos sociais. Desta forma, quando Serra afirma, em seu discurso, que, "de mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra pobres", busca inculcar no eleitor uma polaridade que não é percebida de forma tão radical no dia a dia da maioria das pessoas, à exceção talvez daqueles segmentos de classe média que desaprovam o governo Lula.
 
O brasileiro, via de regra, é conservador, e tem sérias restrições ao discurso do "nós contra eles" ou do "rico contra o pobre". Que o diga o próprio lulo-petismo, que apostou durante tanto tempo na contraposição de classes e que, uma vez no governo, trabalhou tão arduamente pela composição entre interesses tão divergentes quanto os que compõem uma sociedade tão complexa como a brasileira. Com um discurso onde parece querer jogar o "pobre contra o rico" no colo do PT e de Lula, Serra continua falando a uma faixa estreita da sociedade, dirigindo-se apenas a seu eleitorado cativo, de classe média, do centro-sul do país e vinculado ao setor privado, por quem o português "errado" de Lula, programas como o Bolsa Família e as cotas especiais nas universidades, por exemplo, são fortemente rejeitados.
 
É perfeitamente compreensível que o demo-tucanato queira livrar-se da imagem de partido das elites e das oligarquias que o lulo-petismo tenta lhe pregar, mas em tempos de pax lulista, com bons índices de crescimento econômico, lucros recordes obtidos pelas grandes empresas e níveis de renda e consumo ascendentes entre os mais pobres, não será extemporânea e improdutiva a aposta que a oposição parece fazer nessa espécie de "luta de classes", querendo imputá-la justamente a um governo tão macunaimicamente conciliador quanto o de Lula?
 
É curiosa a estratégia do demo-tucanato. Parece que quer tentar convencer o eleitorado de que pode manter a parte boa da herança do lulo-petismo depurando-a de Lula e do PT. Para isto aposta no mote "O Brasil pode mais". E o Brasil, apostará também?  

Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da EACH-USP.
Fonte: http://www.correiocidadania.com.br/content/view/4530/9/


 

“ Política nada tem haver pura e simplesmente com partidarismo: Política é antes de tudo uma tomada de posição frente ao mundo, Política é assumir posição”

Há uma necessidade muito grande de estabelecer canais de dialogo com outras instancias políticas, a nossa categoria precisa , necessita cada vez mais consolidar o processo de formação política, por ela é inerente ao ser humano por isso recomendamos a “navegação” nos seguintes sites:

www.pt.org.br

È de extrema necessidade que conheçamos os processos e as discussões que envolvem o Partido dos Trabalhadores, se faz necessário hoje “conhecer para participar”, conhecer para criticar” e “conhecer para construir”. Vá lá!!!!! E construa !!!!

www.politicabrasileira.com.br ( Notícias de Estudos Políticos , sócio-econômicos e ciências sociais)

Aqui poderemos encontrar alguns textos para que possamos ampliar nossos olhares sobre o que política ? Qual é a necessidade de sermos pessoas politizadas ?

www.dieese.org.br

http://noticias.uol.com.br/fernandorodrigues/politicosdobrasil/

Coloca a disposição do internauta um banco de dados que muitos políticos preferem ver inacessíveis. São declarações de bens dos candidatos, acompanhando informações com numero de CPF e um detalhamento muito legal, da vida daqueles que querem se tornar de alguma forma nossos representantes. Vá e fiscalize !!!!!


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